Tudo o que você precisa saber sobre o Código Internacional de Doenças

O Código Internacional de Doenças também é conhecido como Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde. Além disso, é abreviado como CID ou CID 10.

Se trata de uma das principais ferramentas epidemiológicas da área de saúde, pois monitora a incidência e também prevalência de doenças.

É uma padronização universal que foi desenvolvida pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Com o Código Internacional de Doenças, é possível ter informações sobre as patologias, origem, tratamento, prevenção e também monitoramento de sua prevalência.

Desse modo, são reunidos e organizados diversas doenças e/ou sintomas conhecidos, padronizando nomenclatura e os transformando em códigos.

A CID está organizada atualmente em 22 capítulos com letras e números em ordem crescente.

Ou seja, é um alfabeto que vai a partir da letra “A” até a letra “Z”, sendo também associado a números que vão de 0 a 99.

A Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde conta com atualizações por conta de novas padronizações, e por isso é feita em edições.

Atualmente, o Código Internacional de Doenças está em sua décima primeira edição, também chamado de CID 11.

Quem utiliza o Código Internacional de Doenças?

Atualmente a Classificação Internacional de Doenças é utilizada por diversos profissionais, como por exemplo:

  • médicos;
  • pesquisadores;
  • gestores;
  • empresas;
  • seguros de saúde;
  • outros profissionais de saúde ou
  • organizações de pacientes.

Por ser uma padronização universal desenvolvida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a CID está presente em mais de 115 países.

Além disso, ela já está traduzida em mais de 43 línguas diferentes, para que todos profissionais possam a utilizar sem problemas.

Estruturação da CID

A CID está dividida em 22 capítulos, onde cada capítulo reúne um grupo de doenças, classificadas por letras e números.

Nesses capítulos, são abrangidos doenças e também causas, como por exemplo:

  • doenças infecciosas causadas por parasitas, bactérias, fungos e protozoários;
  • neoplasias e tumores;
  • doenças do sangue;
  • distúrbios hormonais e de metabolismo;
  • doenças mentais e comportamentais;
  • distúrbios do sistema nervoso;
  • problemas ligados à visão humana;
  • doenças que atingem ouvidos e a audição;
  • problemas de coração e sistema circulatório;
  • doenças do sistema respiratório;
  • problemas bucais;
  • transtornos do aparelho digestivo;
  • doenças de pele e do tecido subcutâneo;
  • doenças do tecido conjuntivo, ósseo e muscular;
  • problemas nos órgãos genitais do sistema urinário;
  • doenças que atingem as mamas;
  • problemas que podem ocorrer durante a gestação;
  • doenças, complicações ou disfunções que podem ocorrer próximo ao nascimento de um bebê;
  • alterações cromossômicas e outras anomalias em crianças;
  • exames clínicos e laboratoriais (grupo de doenças mais indefinidas, com sintomas que não foram diagnosticados);
  • causas e fatores externos que causam lesões;
  • causas de morte motivadas pelo meio externo;
  • doenças transmissíveis;
  • pessoas que apresentam risco a si mesmas e/ou a outros pacientes;
  • doenças descobertas recentemente;
  • doenças causadas por bactérias resistentes a antibióticos;
  • entre outros.

Essas são algumas das doenças, causas, distúrbios que são abrangidos na Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde.

Em seguida, confira um exemplo de como funciona o Código Internacional de Doenças:

Exemplo de como funciona o Código Internacional de Doenças

Assim como dito anteriormente, a CID está organizada atualmente em 22 capítulos com letras e números em ordem crescente em um alfabeto que vai da letra “A” até a letra “Z”, sendo também associado a números que vão de 0 a 99.

Em seguida, confira um exemplo de como a Classificação funciona:A00 – Cólera

A01 – Febres Tifóide e Paratifóide:

  • A000 Cólera devida a Vibrio cholerae 01, biótipo cholerae;
  • A001 Cólera devida a Vibrio cholerae 01, biótipo El Tor;
  • A009 Cólera não especificada.

A02 – Outras Infecções Por Salmonella:

  • A010 Febre tifóide;
  • A011 Febre paratifóide A;
  • A012 Febre paratifóide B;
  • A013 Febre paratifóide C;
  • A014 Febre paratifóide não especificada.

A03 – Shiguelose:

  • A030 Shiguelose devida a Shigella dysenteriae;
  • A031 Shiguelose devida a Shigella flexneri;
  • A032 Shiguelose devida a Shigella boydii;
  • A033 Shiguelose devida a Shigella sonnei;
  • A038 Outras shigueloses;
  • A039 Shiguelose não especificada.

A04 – Outras Infecções Intestinais Bacterianas:

  • A040 Infecção por Escherichia coli enteropatogênica;
  • A041 Infecção por Escherichia coli enterotoxigênica;
  • A042 Infecção por Escherichia coli enteroinvasiva;
  • A043 Infecção por Escherichia coli enterohemorrágica;
  • A044 Outras infecções intestinais por Escherichia coli;
  • A045 Enterite por Campylobacter;
  • A046 Enterite devida a Yersinia enterocolítica;
  • A047 Enterocolite devida a Clostridium difficile;
  • A048 Outras infecções bacterianas intestinais especificadas;
  • A049 Infecção intestinal bacteriana não especificada.

A05 – Outras Intoxicações Alimentares Bacterianas, Não Classificadas em Outra Parte:

  • A050 Intoxicação alimentar estafilocócica;
  • A051 Botulismo;
  • A052 Intoxicação alimentar devida a Clostridium perfringens (Clostridium; welchii);
  • A053 Intoxicação alimentar devida a Vibrio parahemolyticus;
  • A054 Intoxicação alimentar devida a Bacillus cereus;
  • A058 Outras intoxicações alimentares bacterianas especificadas;
  • A059 Intoxicação alimentar bacteriana não especificada.

Os exemplos acima foram somente do A00 até o A05, pois a lista de códigos é extensa demais.

Você pode conferir a lista completa da Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde AQUI!

Origem

A origem da Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde foi em 1893.

Nesse ano foi lançada a primeira edição, que era inicialmente chamada de “lista internacional das causas de morte”, feito pelo Instituto Internacional de Estatística.

Entretanto, a versão contemporânea dessa lista foi iniciada somente em 1940, onde a Organização Mundial da Saúde se encarregou da lista em 1948.

Em 1948 também houve a sexta edição do Código Internacional de Doenças, que contou pela primeira vez com as causas de morbilidade.

A CID-10 se desenvolveu somente em 1992, com o objetivo de rastrear estatísticas de mortalidade.

Posteriormente, alguns países têm criado suas próprias extensões do código CID-10. Como por exemplo:

A Austrália apresentou a sua primeira edição, a ICD-10-AM em 1998, enquanto o Canadá publicou a sua versão em 2000, chamada de ICD-10-CA.

A Alemanha também tem a sua própria extensão da Classificação, que é chamada de CID-10-GM.

Nos Estados Unidas, houve também um anexo, chamado de ICD-10-PCS, um sistema de classificação de procedimentos.

Atualmente, está em período de análise a CID-11, que traz diversas novidades ao catálogo.

CID-11

A Organização Mundial da Saúde publica atualizações menores anuais e atualizações maiores a cada três anos.

A última versão lançada pela OMS, CID-11, conta com aproximadamente 55 mil códigos únicos para lesões, doenças e causas de morte, que entrará em vigor em 1 de janeiro de 2022.

A CID-11 foi lançada em 18 de junho de 2018 para análise, com objetivo de que os países possam se preparar para seu uso.

Isto é, um período em que haverá traduções e também treinamento de profissionais para utilizar a Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde.

Em comparação com a anterior (CID-10), há uma estrutura de codificação e também ferramentas eletrônicas de forma mais simplificada.

Assim, quando os profissionais de saúde desejarem registrar doenças e/ou problemas de saúde, será de forma simples e eficaz.

A versão anterior conta com 14.400 códigos, enquanto a nova versão tem mais de 55 mil códigos, de forma muito mais completa.

Algumas adições chamaram a atenção, como a inclusão de distúrbios associados a jogos eletrônicos (games), que são considerados um problema de saúde mental.

Além disso, também há capítulos inéditos sobre a saúde sexual, que antes eram categorizados de forma desatualizada, como por exemplo, a incongruência de gênero, que anteriormente era enquadrada como desordem de saúde mental.

Outra área em que houve uma simplificação a fim de ajudar os profissionais no diagnóstico foi a área de transtorno de estresse pós-traumático.

Por fim, também há os códigos de resistência antimicrobiana que foram modificados.

Atualmente, esses códigos estão mais alinhados ao sistema de vigilância mundial, ou seja, haverá um melhor mapeamento de resistência bacteriana em todo o mundo.

Vantagens do Código Internacional de Doenças

Antes de existir a normatização, ou seja, antes do Código Internacional de doenças, haviam muitos problemas de tradução, causando diversas falhas de diagnósticos.

Com essa padronização, o problema de comunicação entre idiomas foi superado, de modo que o trabalho e comunicação entre médicos foi facilitado.

Além disso, a padronização também faz com que haja uma comunicação clara e eficiente com órgãos públicos.

Por exemplo: em casos de benefícios como o auxílio-doença, é utilizado a Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde.

Por fim, ter um catálogo também otimiza alguns processos na área de saúde, como o levantamento de dados estatísticos.

O desenvolvimento de softwares médicos também é auxiliado devido ao Código Internacional de Doenças, sendo uma grande vantagem para o setor de tecnologia da medicina.

Utilização no Brasil

Assim como em outros países, o Brasil também utiliza o Código Internacional de Doenças.

No Brasil, o diagnóstico e o código referente a doença só deve ser colocado no atestado médico caso o paciente venha a pedir.

Além disso, também há a resolução do Conselho Federal de Medicina, nº 1.819 que proíbe a colocação do diagnóstico codificado ou tempo de doença no preenchimento das guias de consulta e solicitação de exames de seguradoras e operadoras de planos de saúde concomitantemente com a identificação do paciente.

Art. 1º Vedar ao médico o preenchimento, nas guias de consulta e solicitação de exames das operadoras de planos de saúde, dos campos referentes à Classificação Internacional de Doenças (CID) e tempo de doença concomitantemente com qualquer outro tipo de identificação do paciente ou qualquer outra informação sobre diagnóstico, haja vista que o sigilo na relação médico-paciente é um direito inalienável do paciente, cabendo ao médico a sua proteção e guarda.

Assim como pôde ver, a Classificação Internacional de Doenças trouxe diversos benefícios aos profissionais de saúde, e pode ser consultada a qualquer hora, por sites e também aplicativos.

Desse modo, há uma melhor organização e padronização que colabora com diversos profissionais de saúde a nível mundial.

Recentes

Regras para consultório compartilhado: 4 itens para não deixar passar!

Você conhece as regras para consultório compartilhado? O consultório compartilhado pode ser uma...

Quanto custa abrir um consultório odontológico no Brasil?

A prática odontológica é um compromisso organizacional e econômico. O dentista é o seu próprio empregador e isso traz duplo fardo, responsabilidade...

Prontuário do paciente: você está fazendo da maneira certa?

O prontuário do paciente é um dos principais documentos para guiar o trabalho médico e orientar os próximos passos do tratamento indicado...

Relacionados

Regras para consultório compartilhado: 4 itens para não deixar passar!

Você conhece as regras para consultório compartilhado? O consultório compartilhado pode ser uma...

Quanto custa abrir um consultório odontológico no Brasil?

A prática odontológica é um compromisso organizacional e econômico. O dentista é o seu próprio empregador e isso traz duplo fardo, responsabilidade...

Prontuário do paciente: você está fazendo da maneira certa?

O prontuário do paciente é um dos principais documentos para guiar o trabalho médico e orientar os próximos passos do tratamento indicado...

Porque fidelizar clientes sai mais barato que conquistar novos?

Criar um relacionamento duradouro com seus clientes traz muitos benefícios para sua empresa. Em um contexto marcado por acirrada competição e volatilidade...